Manipulação nos discursos presidenciais de tomada de posse do Estado Novo – estratégias discursivas e manipulatórias

Micaela Aguiar

Resumo


Enquadrado numa perspetiva discursiva-enunciativa interdisciplinar da Análise do Discurso, o presente artigo tem como objeto de estudo os discursos presidenciais de tomada de posse, proferidos no período do Estado Novo (1926-1974). Este artigo propôs-se, partindo da hipótese de que os discursos presidenciais de tomada de posse no Estado Novo confluem para o discurso
propagandista e doutrinário do regime, analisar as estratégias discursivas globais e as estratégias manipulatórias locais (Charaudeau, 2009) indicadoras de um discurso de manipulação. Para tal, organizámos a análise em três partes de forma a focar estratégias discursivas de legitimidade, de credibilidade e de captação do público. Concluímos que (1) a legitimidade do estatuto institucional
de Presidente da República (e a retoma deste ethos institucional no discurso) serve como base para o discurso de manipulação; (2) a captação do público é feita através da construção de uma emotividade negativa (fruto de estratégias manipulatórias específicas); (3) a credibilidade (ou construção de imagens) resulta de estratégias manipulatórias particulares e apresenta o locutor na figura de salvador; (4) a articulação das diferentes estratégias manipulatórias traça a estrutura prototípica das narrativas de aventuras; e (5) os propósitos manipulatórios destas estratégias diferem de acordo com as conjunturas históricas.


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