O problema da relação entre o livre-arbítrio humano e a graça/predestinação em Agostinho em diálogo com a Modernidade/Contemporaneidade

Autores

  • Marcos Nunes Costa

Resumo

Um dos temas mais complexos na doutrina filosófico-religiosa de Santo Agostinho é o da relação entre o livre-arbítrio humano e a graça/predestinação divinas. Problema este que tem sua maior expressão em sua polêmica com os pelagianos/semipelagianos, os quais, cada um a seu modo, julgando haver incompatibilidade entre os dois termos, buscavam a anulação de um dos polos da questão, defendendo ser o homem livre: que o pecado original em nada danificou o livre-arbítrio humano, e que, por consequência, este pode alcançar a perfeição/salvação por méritos próprios, não havendo a necessidade da graça divina para tal. Agostinho ao contrário, diz que com o pecado original a “natureza primeira” do homem foi danificada, de forma a necessitar do auxilio da graça divina para poder obrar boas ações (méritos), mas que não há incompatibilismo algum aí, pelo contrário, para ele, o que o homem perdeu foi a liberdade plena que gozava antes do pecado, ficando apenas com o livre-arbítrio, e a graça a restaura, devolvendo-lhe a plena liberdade. Igualmente, defende, que a predestinação não anula o livre-arbítrio, determinando o destino do homem. Pois, primeiro, o homem é um ser criado por Deus para si, não havendo determinados para o mal, e, segundo, por mais danificado que este esteja, resta-lhe algo de sua condição primeira, ainda que a mais ínfima, podendo este dizer não ao chamado de Deus. Estas questões vão reverberar nos discursos filosófico-religiosos acerca do problema na Modernidade/Contemporaneidade, principalmente nos meios protestantes, os quais se entrincheiram-se, cada um a seu modo, entre os chamados incompatibilismo e compatibilismo. Ambos buscando fundamentar suas posições, muitas vezes, em Santo Agostinho. Coisa que nem sempre ele concordaria. Eis o que vamos analisar neste artigo.
Palavras-chave: Agostinho; Livre-Arbítrio; Graça/Predestinação; Compatibilismo; Incompatibilismo; Modernidade/Contemporaneidade.

DOI: https://doi.org/10.21747/civitas/8a7

Publicado

2021-08-04

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Artigos