Entre o amor e a soberba: o conceito de justiça do livro XIX do “Sobre a Cidade de Deus”, como chave de interpretação do amor ao próximo no “Comentário à Primeira Epístola de São João” de Agostinho

Autores

  • Ricardo Evangelista Brandão

Resumo

Partindo do conceito de justiça presente no Livro XIX do De civitate Dei, notadamente que justiça é “dar a cada qual o que é seu”, investigaremos até que ponto o amor (dilectio) trabalhado no Comentário à Primeira Epístola de São João pode ser interpretado como justiça social. Levando em consideração que essa Epístola é um dos mais duros textos de cobrança do amor para o cristão no Novo Testamento, Agostinho compreende as consequências da abundância e da falta do amor de forma eminentemente social, visto que por meio do amor se é impossível ficar insensível ante à miséria da injustiça social, que fabrica tantos miseráveis. Assim, a vera justitia seria demonstrada pelo amor incondicional ao próximo, não permitindo que seu semelhante fique na miséria, todavia, esse auxílio, outrossim, não pode se traduzir em uma dependência constante entre o auxiliado e o auxiliador, pois quando essa situação de dependência se perpetua, o auxiliado naturalmente nutrirá um sentimento de superioridade perante o auxiliado, e esse último se pensará inferior ao que o auxilia. De forma que o amor demonstrado pela vera justitia se configura em emergencialmente tirar o pobre da miséria, e rito contínuo, trabalhar para que ele adquira autonomia e dignidade.
Palavras-chave: Amor, Verdadeira justiça, Justiça social.

Publicado

2021-08-04

Edição

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Artigos