Redis: Revista de Estudos do discurso https://ojs.letras.up.pt/index.php/re <p>A REDIS, Revista de Estudos do Discurso, é uma iniciativa de duas instituições académicas e de investigação parceiras que uniram esforços na concretização de um projeto editorial conjunto: a Universidade de São Paulo, por intermédio das Faculdades de Educação (FEUSP) e de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP) e a Universidade do Porto, por meio da Faculdade de Letras (FLUP) e do Centro de Linguística (CLUP).</p> pt-PT Redis: Revista de Estudos do discurso 2183-3958 Os autores cedem à Revista REDIS. Revista de Estudos do Discurso, o direito exclusivo de publicação dos seus textos, sob qualquer meio, incluindo a sua reprodução e venda em suporte papel ou digital, bem como a sua disponibilização em regime de livre acesso em bases de dados. FICHA TECNICA https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10934 <p>.</p> Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 REDIS: Revista de Estudos do Discurso https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10944 <p>.</p> Alexandra Guedes Pinto Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 Nota Editorial https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10945 <p>.</p> Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 Pensando a educação para surdos na década de 30: https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10933 <p>A historiografia da educação de surdos revela que, ao longo da História, houve a implementação de diversos métodos voltados para o ensino de Português no Brasil, relacionados com o contexto histórico em que se inserem. Enquanto algumas metodologias privilegiaram o ensino da língua oral por se acreditar que a fala possibilitaria a integração do sujeito surdo como um elemento <br>útil na sociedade, outras reconheceram o papel fundamental que as línguas de sinais exercem no desenvolvimento cognitivo desse aprendiz.<br>Levando em contas essas considerações, o presente trabalho, a partir do arcabouço teórico da Historiografia Linguística, tem como objetivo analisar o material didático Pedagogia emendativa do surdo-mudo de Armando de Lacerda, produzido no Brasil em 1934. Nesse contexto, o trabalho é organizado da seguinte forma: inicialmente é feita uma breve discussão sobre os conceitos teóricos que auxiliaram a investigação e é detalhado seu percurso metodológico; depois, é contextualizado o momento historiográfico em que se insere a obra de Lacerda (1934); e, por fim, são analisadas as concepções da língua e do seu ensino, das línguas de sinais, da surdez, do sujeito surdo e de seu processo de ensino-aprendizagem presentes na obra em questão.</p> Vanessa Gomes Teixeira Anachoreta Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 Linguística do Texto e do Discurso e Linguística Aplicada: Fronteiras e possíveis aproximações https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10935 <p>Este artigo reflete sobre duas grandes disciplinas da Linguística para identificar os limites e as confluências de seu escopo de atuação. De um lado, a chamada Linguística do Texto e do Discurso tem produzido um amplo trabalho de reflexão sobre as práticas linguísticas baseadas na produção e recepção de textos/discursos. De outro lado, a Linguística Aplicada tem investigado <br>problemas socialmente relevantes relacionados às diversas formas de uso da linguagem. Em ambas, portanto, o objeto de análise é a língua em uso. Nesse sentido, este artigo pretende delinear fron- teiras e possíveis aproximações entre essas duas disciplinas, evidenciando como pesquisas linguís- ticas situadas em epistemologias de fronteira podem se apoiar em ambas, beneficiando-se de suas contribuições e igualmente contribuindo para um avanço recíproco. Para isso, este estudo apoiase principalmente nas reflexões de Coutinho (2019), Miranda (2010), Maingueneau (2005), Koch (2004), Bentes (2001), Moita Lopes (2009), Fabrício (2006), Celani (2004) e Rajagopalan (2003,2018).</p> Bruna Bandeira Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 “Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue”: https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10936 <p>Em 1954, o Brasil, então governado pelo presidente Getúlio Vargas, passava por uma grande crise política. A cúpula militar e os opositores políticos exigiam a renúncia do presidente. <br>Entretanto, antes de ser deposto, Getúlio Vargas tirou sua própria vida com um tiro no peito. Para o povo brasileiro, deixou uma carta datilografada que foi encontrada junto ao seu corpo. A “cartatestamento”, como ficou conhecida, deixava clara a razão do suicídio e transformou Getúlio Vargas em mártir e herói do povo brasileiro. Entretanto, anos depois da fatídica morte, foi tornada pública uma segunda carta, manuscrita e muito mais concisa do que a primeira. Embora muitos acred- item que esta seja a verdadeira “carta-testamento”, não foram encontrados estudos acerca dessa segunda carta no âmbito da Linguística. Assim, com o objetivo de preencher tal lacuna, este estudo busca analisar as duas cartas e apresentar as diferentes estratégias linguístico-discursivas utilizadas pelo autor na construção do ethos. Como pressupostos teóricos, utilizaremos o quadro de análise de gêneros textuais proposto por Adam (2001) e alguns conceitos de ethos propostos por Amossy (2019) e Maingueneau (2007; 2019). Nossa análise comprova o quão importante foi o papel da “carta-testamento” na construção da imagem de Getúlio Vargas. No entanto, também mostra que há algumas diferenças significativas nas estratégias linguístico-discursivas presentes nas duas cartas. Por fim, embora a imagem de mártir esteja presente nas duas missivas, observamos que, na carta manuscrita, o autor constrói a imagem de alguém que deseja apenas ficar esquecido no próprio país e, na carta-testamento, a imagem de herói que não quer ser esquecido pelo povo brasileiro.</p> Viviane Costa Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 Reflexões acerca do Princípio de Cooperação discursiva: https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10937 <p>Este trabalho tem como objetivo refletir sobre o Princípio de Cooperação, concebido no âmbito da Filosofia da Linguagem por Grice (1982 [1975]) e retomado pela Análise do Discurso sob o viés discursivo, nos estudos de Maingueneau (1990, 2018, 2015) e Charaudeau (1983, 2008). <br>Para a consecução deste objetivo, propõe-se, nesta pesquisa, a análise de mensagens publicitárias difundidas pela plataforma de vídeos YouTube, no período inicial da incidência da pandemia do novo coronavírus no Brasil. O corpus da pesquisa é formado por anúncios publicitários veiculados em 2020. Trata-se de publicidades de instituições bancárias que atuam no Brasil, cujos anúncios têm semelhanças na aplicação de estratégias relacionadas a implícitos (pressupostos e subentendidos). Adota-se o método indutivo, bem como as pesquisas bibliográfica e documental. São retomados os trabalhos de Hoff (1999), Sandmann (1999), Barros (2002), Fairclough (2001) e Baudrillard (1997). Com o advento das novas Tecnologias da Informação e Comunicação, analisadas por Jenkins (2006), entre outros autores, torna-se imperativa a reflexão sobre como se caracteriza a publicidade, um dos&nbsp; discursos que exercem forte influência social.</p> Denise Durante Katiuscia Cristina Santana Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 A mulher por ela mesma em três clipes brasileiros: https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10938 <p>Este trabalho pretende problematizar a representação da mulher em três clipes relacio- nados com as canções Mulher do fim do mundo (2015); Triste, louca ou má (2016) e Dona de mim (2018), nas vozes de Elza Soares, Juliana Strassacapa e Iza, respectivamente. Pretende-se demonstrar como o processo enunciativo, em si, contribui para a implicitação de sentidos e para a promoção de efeitos com ecos na (re)construção social da identidade feminina. Para isso, com a sustentação principal da Teoria Semiolinguística de Análise do Discurso, será investigada a atuação dos imaginários sociodiscursivos, assim como da representação do ethos da mulher (imagem que, no caso, a locuto- ra faz de si própria) e da manifestação do pathos (como efeito visado, orientado para a mobilização do outro pela emoção) nos contratos de comunicação firmados pelos clipes. Atesta-se, nas análises, a elocução de enunciadoras que resistem à identidade hegemônica de mulher, aliada a imagens nar- rativas que materializam sua reação à posição subalterna que o gênero feminino costuma ocupar na sociedade e, com isso, corporificam a ressignificação da condição da mulher.</p> Beatriz dos Santos Feres Rosane Santos Mauro Monnerat Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 Mulheres que vestem farda: Corpos “modelados” pelas letras da Lei https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10939 <p>O objetivo deste trabalho é problematizar os efeitos de sentidos da construção do corpo da mulher policial militar que emergem no discurso jurídico das seguintes fontes: o decreto n.º 2.905, publicado em 1989, ato que cria a Companhia de Polícia Militar Feminina – Cia PM Fem, o ofício n.º PM/3-003/88 encaminhado à Inspetoria das Polícias Militares (IGPM) com o projeto <br>de criação dessa Companhia e regulamento da Companhia de Polícia Feminina da Polícia Mili- tar (REPOFEM/PM). Recorrendo-se à análise de discurso francesa filiada a Michel Pêcheux (AD), foram mobilizadas as seguintes categorias analíticas: formação discursiva (FD), discurso transverso e forma-sujeito. As materialidades analisadas revelaram que a partir de uma pedagogia corporal, o corpo civil visto como feminino foi remodelado/construído em um novo corpo militar que preser- varia uma feminilidade controlada. A transformação das mulheres em militares através dos arbí- trios culturais se deu por meio da transmissão de valores, normas e padrões que integrariam os saberes que passamos a identificar como FD policial militar alicerçada em dois pilares – hierarquia e disciplina, caracterizando o habitus militar, conceito de Pierre Bourdieu que o atravessa. As mul- heres que se inscreveram nessa FD internalizaram a forma-sujeito a ela correspondente: a policial militar feminina. E nessa posição passaram a executar tarefas atreladas à maternidade e cuidado com o outro (com atendimento prioritário para idosos, crianças e mulheres). Tarefas consideradas essencialmente femininas. Por certo, o corpo nesse ambiente é usado a partir de uma lógica per- formática condicionada às ações autorizadas pelas normas, a exemplo da relação entre pares, brin- cos, maquiagem que demarcam a posição das mulheres na segurança pública. É um discurso que remonta dizeres e práticas do pelotão feminino da capital paulista, pioneiro na inserção de mulheres em seu quadro organizacional que contribuiu para a exteriorização da héxis militar. Empiricamente, aponta como resultado o mapeamento histórico-discursivo do ingresso das mulheres e da Cia PM Fem na instituição Polícia Militar da Bahia – PMBA através do corpo historicamente subjugado.</p> Geórgia Ferreira Palmira Alvarez Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 Polifonia na Comédia Stand-up Portuguesa: https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10940 <p>O presente artigo visa analisar alguns mecanismos linguísticos que contribuem para a construção de identidade. Privilegiando uma abordagem interacionista sócio-discursiva, o obje- tivo é descobrir até que ponto a polifonia (Bakhtin, 1981) e, mais especificamente, a distribuição de vozes através dos pronomes pessoais no discurso contribuem para a construção de identidade <br>do comediante no género ainda pouco explorado stand-up comedy em português. Numa perspe- tiva franco-suíça (Bronckart, 2012), o termo “vozes enunciativas” remete para os mecanismos que contribuem para o estabelecimento de coerência pragmática (ou interativa) do texto. Este artigo demonstra como um comediante cria diferentes identidades no discurso, alternando entre as vozes do autor empírico, as vozes sociais e as vozes das personagens. Em particular, a análise textual <br>demonstra a forma como as alterações de pronomes pessoais (nomeadamente, eu e nós) são uti- lizadas como estratégia não apenas para produzir um efeito humorístico mas também para exibir dinamicamente aspetos da identidade do comediante. Os comediantes podem “apagar” ou distan- ciar-se de suas identidades individuais, identificando-se com a voz social. Assumindo a responsabi- lidade, eles visam enfatizar sua própria identidade individual em oposição à voz social, zombando <br>frequentemente de princípios e ordens sociais. O domínio raramente investigado de stand-up comedy fornece dados originais para a análise da identidade do comediante e da maneira como ele é re- tratado no discurso.</p> Milana A. Morozova Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 A dêixis e a proximização em anúncios publicitários da cerveja CORAL entre 1980 e 2020 https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10941 <p>Como a produção de cerveja ocorre em todo mundo, os anúncios publicitários podem asso-ciar o seu consumo a um produto nacional e/ou regional. O presente artigo tem como objetivo analisar o uso da dêixis na publicidade da cerveja madeirense CORAL, com base num corpus de 578 anúncios publicitados entre 1980 e 2020 no site oficial e na página de Facebook desta marca. <br>Assente na teoria da proximização (Kopytowska 2014a-b, 2015a-b, 2018, 2020), a análise quantita- tiva e qualitativa efetuada deixa transparecer a ênfase dada à insularidade madeirense, através de proximização espacial, pessoal, emocional, axiológica e epistémica. Os resultados obtidos remetem, ainda, para a necessidade de continuidade da pesquisa sobre atos ilocutórios e atos ameaçadores de face neste mesmo corpus, bem como a premência da realização de estudos comparativos de corpora de outras marcas de bebidas alcoólicas para conclusões mais alargadas sobre o discurso publicitário em causa.</p> Alexandra Nunes Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 Armada de Dumbledore e brigada inquisitorial: https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10942 <p>O objetivo deste artigo é refletir sobre as estratégias discursivas de dois grupos da saga Harry Potter (HP), a Armada de Dumbledore e a Brigada Inquisitorial, representados por duas mulheres, Hermione Granger e Dolores Umbridge, como, respectivamente, porta-vozes, respecti- vamente, uma não-oficial da resistência e outra, oficial do Estado (semiotizado pelo Ministério da Magia). A partir do embate entre essas duas vozes sociais, considerar-se-á, alicerçados nos estudos <br>teórico-metodológicos bakhtinianos, os conceitos de “signo ideológico”, “enunciado” e “forças cent- rífugas e centrípetas”, como fundamentos reflexivos acerca da responsividade e da responsabilidade de alunos face ao discurso ministerial, marcado pelo conservadorismo, típico de governos autori- tários no grande tempo da história, personificado, na obra ficcional, por uma professora específica, intitulada “Alta Inquisidora”. A relevância da discussão proposta se volta à relação dialógica de re- flexo, refração e dupla refração entre ficção e realidade, como compreendido pelo Círculo bakhtini- ano, especialmente, sobre o quanto a literatura fantástica, com seu acabamento estético específico, se encontra alicerçada no solo social e se volta à vida, como expressão de marca histórica. Os resultados revelam o quanto a valoração pela resistência, pautada na determinação, é considerada “bem” e o totalitarismo, “mal”, na narrativa, além de fazer refletir sobre sistemas de governo e educação, <br>dada a configuração cenográfica da obra como acontecimento e evento estético, onde se passam as ações (na escola de Hogwarts).</p> Luciane de Paula Cristina de Giovana Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10 Quatro décadas da revista Claudia: https://ojs.letras.up.pt/index.php/re/article/view/10943 <p>Em vista do cenário de novas demandas da mulher na contemporaneidade, este trabalho debruça-se sobre o tema específico da representação sobre o feminino cartografado em publicações midiáticas brasileiras. De modo singular, esta pesquisa assume, como objetivo principal, investigar, em perspectiva diacrônica, os imaginários sociodiscursivos do feminino evocados em capas da re- vista Claudia ao longo de quatro décadas. Para tal, o estudo fundamenta-se no arcabouço teórico- metodológico da Análise Semiolinguística do Discurso, com apoio nos conceitos de imaginários sociodiscursivos e de sujeitos em dimensão midiática, e da Linguística Textual, recorrendo à noção de frame. De modo mais detalhado, são examinadas capas da revista Claudia segundo operações linguístico-discursivas, da ordem da identificação e qualificação, selecionadas para figurarem em cinco edições da publicação, compreendidas entre os anos de 1982 e 2021. Pela análise empreen- dida, constata-se estar havendo, nas duas últimas décadas, uma alteração acerca do imaginário so- ciodiscursivo do feminino, correspondente, agora, ao da mulher que se afirma como protagonista dos debates sociais e políticos para além do que pode ser estabelecido em outros campos de sua <br>atuação cotidiana, vinculados ao doméstico e à estética.</p> Patrícia Ribeiro Raquel Rezende Direitos de Autor (c) 2021 Redis: Revista de Estudos do discurso 2021-11-02 2021-11-02 10