Idolatria, liberdade cívica e consciência moral
interrogações críticas em torno do conceito carlyleano de heroísmo
Resumo
Em On Heroes, Hero-Worship, & the Heroic in History (1841), Thomas Carlyle faz a apologia de indivíduos de excepção, pináculos de energia no corpo da sociedade e da História, que esmagam os homens comuns e escapam aos critérios da consciência. Definindo seis tipos de heróis, propugna uma desmoralização das relações políticas, em teses cujo efeito de choque é denotado pela sua recepção coeva. William Thompson, por exemplo, sentencia que On Heroes não é um livro cristão. Com efeito, Carlyle oferece uma axiologia na qual o discurso do dever se funde num discurso do poder, sob um princípio simples: uns fazem
e lideram, outros aderem e veneram, sem liberdade de escolha. Na sua teoria dos heróis, estes têm a sua própria justificação num privilégio de autotelia, sem as grilhetas da questionação moral. Cabe-lhes serem fiéis a si mesmos, constituindo o seu próprio absoluto.