A vogal pretônica /e/ na fala dos moradores da cidade de Tonantins (Amazonas): um estudo variacionista
Resumo
Sob a perspectiva da Sociolinguística Variacionista (Weinreich, Labov e Herzog, 2006; Labov, 2008; Coelho et al., 2010; Mollica e Braga, 2015), esta pesquisa teve como objetivo geral investigar a variação da vogal pretônica /e/ no Amazonas, a partir de dados de fala de moradores da cidade de Tonantins e, dessa forma, contribuir para o conhecimento das áreas dialetais brasileiras. Para isso, foram descritas as variantes da vogal pretônica /e/ presentes na fala dos moradores da cidade de Tonantins (Amazonas), assim como foram analisadas as variáveis independentes linguísticas (‘consoante anterior’; ‘consoante em coda silábica’; ‘oralidade/nasalidade da vogal tônica’ e ‘abertura da vogal tônica’) e extralinguísticas (‘sexo/gênero’; ‘faixa etária’; ‘escolaridade’; ‘mobilidade’; ‘localismo’ e ‘ocupação’) que influenciam o uso de uma ou outra variante da vogal pretônica /e/ na fala dos moradores dessa cidade. Para o desenvolvimento deste estudo, foi utilizada parte dos dados coletados por Martins (2013) em sua tese de doutorado. O corpus analisado constitui-se de 12 informantes e está estratificado de acordo com a faixa etária (18 a 35 anos, 36 a 55 anos e mais de 56 anos), o sexo/gênero (homem e mulher) e a escolaridade (4 a 8 anos de escolarização e 9 a 11 anos de escolarização). No total, foram analisadas 3.097 realizações da vogal pretônica /e/ no programa de análises estatísticas GoldVarb X. Como resultado geral, obteve-se a realização mais frequente da vogal [e] (41%), seguida de [ɛ] (31%) e de [i] (28%). Esses resultados corroboraram os encontrados por outras pesquisas realizadas na região amazônica (Maia, 2009; Brito, 2011; Justiniano, 2012; Quara, 2012; Cardoso, 2018; Maia, 2018; Mendonça, 2021; Batista, 2023) e, por outro lado, eles se diferenciaram dos dados encontrados por Nascentes (1953), Cruz (2004), Dias (2012), Azevedo (2013) e Tavares (2019). Para melhor compreender o fenômeno em foco no que diz respeito às variáveis independentes linguísticas e extralinguísticas que o influenciam, foi considerada na rodada estatística a análise da variante [e] em relação à variante [ɛ]. O programa estatístico utilizado selecionou como favorecedores dessa variante, em ordem de seleção: ‘abertura da vogal tônica’; ‘oralidade/nasalidade da vogal tônica’; ‘consoante em coda silábica’; ‘consoante anterior’; ‘faixa etária’ e ‘sexo/gênero’. Diante disso, é visto que, para o fenômeno em questão, as variáveis independentes linguísticas têm mais peso do que as extralinguísticas.
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