Waste Labor and the Capitalist Mythology in Total Refusal’s Hardly Working

Autores

Palavras-chave:

Trabalho Digital; Ideologia Capitalista; Total Refusal; Crítica dos Videojogos; Estética Marxista

Resumo

Este artigo analisa Hardly Working (2022), uma instalação de vídeo de quatro canais do coletivo austríaco de media Total Refusal, que se apropria do ambiente de mundo aberto do videojogo Red Dead Redemption II (2018), da Rockstar Games, para criticar a mitologia capitalista e a representação do trabalho. O filme coloca em primeiro plano personagens não jogáveis (NPCs) — uma lavadeira, um varredor de ruas, um carpinteiro e um tratador de cavalos — cujo trabalho, embora visualmente presente no jogo, é funcionalmente desprovido de significado e marcado pela repetição algorítmica. Ao remover o avatar do jogador e concentrar-se nestas figuras periféricas, o coletivo Total Refusal reconfigura as hierarquias espaciais e narrativas do jogo, transformando-o num espaço de crítica marxista.
Com base nos enquadramentos teóricos de Karl Marx, Hannah Arendt, Guy Debord e Georg Lukács, o artigo examina de que forma Hardly Working mobiliza temas como a alienação, a disciplina, o espetáculo, o mito e a consciência de classe.
A análise revela que Red Dead Redemption II perpetua uma mitologia da fronteira alinhada com ideais neoliberais de liberdade, individualismo e inevitabilidade do mercado, ao mesmo tempo que apaga as estruturas laborais que sustentam essa fantasia. Ao apresentar os NPCs como trabalhadores digitais presos em ciclos sisifianos, Hardly Working expõe a função ideológica do jogo: normalizar e estetizar a exploração capitalista.
A obra de Total Refusal opera através da remediação, transformando um videojogo comercial numa performance visual crítica. O estilo observacional da instalação e os momentos de rutura algorítmica produzem um efeito de distanciamento brechtiano, incentivando os espectadores a questionar a “naturalidade” do trabalho digital e os seus análogos no mundo real. Este artigo insere Hardly Working num debate mais amplo sobre media, poder e representação, argumentando que a obra exemplifica como intervenções artísticas em espaços digitais podem revelar as lógicas ocultas dos sistemas capitalistas e suscitar uma reflexão crítica sobre trabalho, visibilidade e consentimento.

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Publicado

2026-07-22

Como Citar

Giorgi Razmadze. (2026). Waste Labor and the Capitalist Mythology in Total Refusal’s Hardly Working. VIA PANORAMICA: Revista De Estudos Anglo-Americanos A Journal of Anglo-American Studies, 15(1). Obtido de https://ojs.letras.up.pt/index.php/VP/article/view/16632