A interpretação em termos de mudança escalar sobre expressões de mudança de preço
Abstract
Este artigo investiga a interpretação linguística das expressões de variação do preço à luz da teoria da mudança escalar. A partir da distinção entre escalas lexicalizadas e não lexicalizadas e da tipologia escalar, proposta por Kennedy & Levin (2008), defende-se que a leitura aspetual dos eventos depende de forma decisiva da estrutura interna da escala associada ao predicado verbal. No caso do preço, considerado uma escala aberta, a telicidade decorre da presença de um valor de referência que delimite o alvo do movimento escalar. A duratividade, por sua vez, está relacionada com a possibilidade de decomposição do evento em subeventos, que são homomorficamente mapeados para valores correspondentes da escala. A interação entre estas duas propriedades permite distinguir entre eventos pontuais, processos culminados e processos não culminados.
Com base em dados reais extraídos de discursos económicos, demonstra-se que verbos de movimento como subir e descer admitem diferentes leituras aspetuais — télicas, atélicas, durativas ou pontuais — dependendo do contexto temporal, da estrutura da escala e da presença de marcadores aspetuais. A análise fundamenta-se na Relação de Movimento Generalizada de Beavers (2008), que permite representar movimentos escalares com retrocessos, interrupções ou oscilações. O estudo confirma, assim, que a estrutura interna do evento e a topologia da escala são fatores cruciais na interpretação de telicidade e duratividade nas construções linguísticas de variação de preços, oferecendo um contributo relevante para a modelação semântica dos eventos dinâmicos em contextos específicos.
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