ANTÔNIO BENTO E A PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NO 1O E 2O CONGRESSOS DA AICA (1948-1949) INTERNACIO NALIZAÇÃO E PROFISSIONALIZAÇÃO DA CRÍTICA DE ARTE NO BRASIL

Autores

  • Marcelo Ribeiro Vasconcelos

Palavras-chave:

crítica de arte, internacionalização, profissionalização, abstracionismo, arte moderna

Resumo

O artigo analisa a internacionalização da crítica de arte brasileira via participação no 1º e 2º Congressos da AICA (1948-49). A ênfase na atuação de Antônio Bento permite observar uma estratégia mobilizada pelos críticos brasileiros fundamentada no uso desse circuito transnacional para legitimar um novo modelo profissional, especializado e objetivo, em oposição à crítica “literária” anterior. A análise das colunas de Bento revela como ele mobilizou debates e autoridades internacionais para reconfigurar sua posição no campo da crítica de arte e seus julgamentos sobre o abstracionismo. A criação da ABCA como seção nacional consolida esse processo, que conferiu aos críticos autoridade simbólica para atuar nas novas instituições do campo artístico brasileiro em formação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia Autor

Marcelo Ribeiro Vasconcelos

Doutor em Sociologia pela UNICAMP, atua como pesquisador e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Artes, Cultura e Linguagens da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPGACL-UFJF). Dedica-se ao estudo da crítica de arte brasileira, com ênfase nos processos de circulação internacional de obras e ideias. Sua produção investiga as conexões transnacionais que moldaram a crítica de arte e a recepção da arte brasileira no exterior. 

Referências

AICA. (1948a). Summary report of the irst meeting held at Unesco House, 19 Avenue Kléber, Paris 16e, on Monday, 21 June 1948 at 10:00 a.m. Recuperado de: https://www.archivesdelacritiquedart.org/wp-content/uploads/2017/02/AICA48Compte_rendu-eng.pdf

AICA. (1948b). Fourth meeting held at Unesco House, 19 Avenue Kléber, Paris, on 23 June 1948 at 10:00 a.m. Recuperado de: https://www.archivesdelacritiquedart.org/wp-content/uploads/2017/02/AICA48-Compte_rendu-eng.pdf

AICA. (1949). Summary records of the plenary meetings held at Unesco House, Paris, 27 June–1 July 1949. Recuperado de: https://www.archivesdelacritiquedart.org/wp-content/uploads/2017/02/AICA49-Compte_rendu_Congr_s-eng.pdf

Alambert, F., & Canhete, P. (2004). Bienais de São Paulo: Da era do museu à era dos curadores. Boitempo.

Bellido, R. T. (2002). Cinquante ans d’histoire de l’AICA: D’un club d’amis à une organisation planétaire. In Histoires de 50 ans de l’Association Internationale des Critiques d’Art (AICA). AICA.

Bento, A. (1948, 13 de julho). Pintura abstrata e realismo. Diário Carioca. Recuperado de http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_03/33220

Bento, A. (1948, 12 de agosto). Crônica de Paris. Diário Carioca. Recuperado de http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_03/33096

Bento, A. (1949, 13 de julho). Em defesa da arte moderna. Diário Carioca. Recuperado de http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_03/37460

Bento, A. (1949, 17 de julho). A função da crítica. Diário Carioca. Recuperado de http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_03/37508

Bento, A. (1949, 20 de julho). Uma exposição Picasso. Diário Carioca. Recuperado de http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_03/37548

Bento, A. (1949, 31 de julho). Atualidade de Gauguin. Diário Carioca. Recuperado de http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_03/37680

Bento, A. (1949, 23 de outubro). “Ben Nicholson”, de Herbert Read. Diário Carioca. Recuperado de http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_03/38688

Bento, A. (1957, 15 de setembro). Nota sobre o tachismo. Diário Carioca. Recuperado de http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093092_04/38302

Bourdieu, P. (2002). As condições sociais da circulação internacional das ideias. Enfoques – Revista Eletrônica, 1(1), IV3XV.

Bourdieu, P. (2009). O mercado de bens simbólicos. In P. Bourdieu, A economia das trocas simbólicas. Perspectiva.

Bourdieu, P. (2023). Manet: Uma revolução simbólica. Edusp.

Braudel, F. (2007). O modelo italiano. Companhia das Letras.

Bueno, M. L. (1990). Artes plásticas no Brasil: Modernidade, campo artístico e mercado de 1917 a 1964 (Dissertação de mestrado). PUC-SP.

Bueno, M. L. (1999). Artes plásticas no século XX: Modernidade e globalização. Editora da Unicamp.

Bueno, M. L. (2012). O mercado de arte no Brasil em meados do século XX. In M. L. Bueno (Org.), Sociologia das artes visuais no Brasil (pp. 75395). Editora do Senac.

Dossin, C. (2015). The rise and fall of American art, 1940s–1980s: A geopolitics of Western art worlds. Ashgate.

Durand, J. C. (1989). Arte, privilégio e distinção: Artes plásticas, arquitetura e classe dirigente no Brasil, 185531985. Perspectiva.

Fabris, A. (1990). Portinari, pintor social. Perspectiva.

Guilbaut, S. (1983). How New York stole the idea of modern art. University of Chicago Press.

Guilbaut, S. (2011). Respingos na parada modernista: A invasão fracassada da arte abstrata no Brasil, 194731948. ARS (São Paulo), 9(18), 1483173.

Huyssen, A. (2014). Culturas do passado-presente: Modernismos, artes visuais, políticas da memória. Contraponto.

Jordão, V. P. (1948, September 19). No congresso internacional de críticos de arte. Correio da Manhã. Recuperado de: http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_05/43463

Martins, L. (1983). Um bom sujeito. Paz e Terra.

Kramer-Mallordy, A. (2015). Les archives de l’Association Internationale des Critiques d’Art, une histoire prospective de la mondialisation? Critique d’art, (45). https://doi.org/10.4000/critiquedart.19187

Lassalle, H. (2002). Fondation de l’Association Internationale des Critiques d’Art. In Histoires de 50 ans de l’Association Internationale des Critiques d’Art (AICA). AICA.

Mauad, I. (2024). Suplementos literários e cadernos culturais: Origens no Brasil e trajetória no Rio de Janeiro. Mauad X.

Miceli, S. (2001). Poder, sexo e letras na República Velha. In S. Miceli (Org.), Intelectuais à brasileira (pp. 13368). Companhia das Letras.

S/A. (1949, 18 de junho). Congresso internacional de crítica de arte. O Jornal. Recuperado de: http://memoria.bn.gov.br/docreader/110523_04/49554

Sapiro, G. (2021). O campo literário transnacional entre o (inter)nacionalismo e cosmopolitismo. Mulemba, 13(25), 12338.

Sapiro, G. (2025). A noção de campo de uma perspectiva transnacional. In G. Sapiro, Os intelectuais: Autonomização, profissionalização e internacionalização. Edusp.

Sant’Anna, S. M. P. (2011). Construindo a memória do futuro: Uma análise da fundação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. FGV.

Schwartzman, S., Bomeny, H., & Costa, V. (1984). Tempos de Capanema. Paz e Terra.

Séguin des Hons, A. de. (1985). Le Brésil: Presse et histoire 1930–1985. L’Harmattan.

Silva, M. B. (2023). A AICA e o debate realismo vs. abstração no eixo Rio–São Paulo. In Anais do 42º Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte (pp. 1343144). https://doi.org/10.54575/cbha.42.009

Tota, A. P. (2000). O imperialismo sedutor: A americanização do Brasil na época da Segunda Guerra. Companhia das Letras.

Valderrama, F. (1995). A history of UNESCO. UNESCO.

Vasconcelos, M. R. (2019). A crítica de arte na imprensa carioca e o debate sobre Brasília no congresso da AICA (1959). Teoria e Cultura, 14(1), 31351.

Verger, A. (1987). L’art d’estimer l’art. Actes de la recherche en sciences sociales, 66367, 1053121. Recuperado de: https://www.persee.fr/doc/arss_0335-5322_1987_num_66_1_2364

Downloads

Publicado

2025-12-29

Como Citar

Ribeiro Vasconcelos, M. (2025). ANTÔNIO BENTO E A PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NO 1O E 2O CONGRESSOS DA AICA (1948-1949) INTERNACIO NALIZAÇÃO E PROFISSIONALIZAÇÃO DA CRÍTICA DE ARTE NO BRASIL. Todas As Artes, 8(3, Volume especial). Obtido de https://ojs.letras.up.pt/index.php/taa/article/view/16371