BIENAIS DE SÃO PAULO NOS ANOS 1970: CRISE OU URGÊNCIA DE REVISÃO?
Palavras-chave:
Bienal de São Paulo, crise artística, crise institucional, boicoteResumo
Este artigo investiga a crise das Bienais de São Paulo na década de 1970, compreendida como efeito das tensões entre o projeto de internacionalização do evento, concebido em moldes modernistas, e a emergência de debates em um contexto “pré-global”. A partir do boicote internacional de 1969, analisa-se como a Bienal se viu alvo de críticas à sua gestão institucional, à pretensa neutralidade do modelo expositivo e ao alinhamento com o regime civil-militar. Examina-se ainda as respostas institucionais, como as Bienais Nacionais e as mesas-redondas de crítica, além do estudo de caso do grupo Etsedron, cuja inserção da cultura popular nordestina tensionou padrões internacionalistas. Conclui-se que, embora não tenha superado plenamente a crise, a Bienal desempenhou papel central ao evidenciar contradições entre global e local, centro e periferia, oficialidade e resistência.
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