BIENAIS DE SÃO PAULO NOS ANOS 1970: CRISE OU URGÊNCIA DE REVISÃO?

Autores

  • Renata Cristina de Oliveira Maia Zago

Palavras-chave:

Bienal de São Paulo, crise artística, crise institucional, boicote

Resumo

Este artigo investiga a crise das Bienais de São Paulo na década de 1970, compreendida como efeito das tensões entre o projeto de internacionalização do evento, concebido em moldes modernistas, e a emergência de debates em um contexto “pré-global”. A partir do boicote internacional de 1969, analisa-se como a Bienal se viu alvo de críticas à sua gestão institucional, à pretensa neutralidade do modelo expositivo e ao alinhamento com o regime civil-militar. Examina-se ainda as respostas institucionais, como as Bienais Nacionais e as mesas-redondas de crítica, além do estudo de caso do grupo Etsedron, cuja inserção da cultura popular nordestina tensionou padrões internacionalistas. Conclui-se que, embora não tenha superado plenamente a crise, a Bienal desempenhou papel central ao evidenciar contradições entre global e local, centro e periferia, oficialidade e resistência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia Autor

Renata Cristina de Oliveira Maia Zago

É professora de História da Arte no Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Artes, Cultura e Linguagens. Possui graduação em Artes Plásticas (licenciatura e bacharelado) pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde também concluiu o Mestrado em Artes e o Doutorado em Artes Visuais (História, Teoria e Crítica). 

Referências

Acha, J. (1981). Arte y sociedad Latinoamérica: El producto artístico y su estructura. Fondo de Cultura Económica.

Alambert, F., & Canhête, P. (2004). As Bienais de São Paulo: Da era dos museus à era dos curadores (1951–2001). Boitempo.

Amaral, A. (1983). Arte e meio artístico (1961–1981): Entre a feijoada e o x-burguer. Nobel.

Amaral, A. (2006). Textos do Trópico de Capricórnio: Artigos e ensaios (1980–2005) (Vol. 2). Editora 34.

Arquivo Histórico Wanda Svevo, Fundação Bienal de São Paulo. (1974, May 17). Ata de reunião [Ata].

Barbosa, M. M. (2015). MASP e MAM: Percursos e movimentos culturais de uma época (19471969) [Tese de doutorado, Universidade Estadual de Campinas]. Repositório da Produção Cientí ica e Intelectual da Unicamp.

Birkett, W. B. (2012). To infinity and beyond: A critique of the aesthetic white cube [Master’s thesis, Seton Hall University]. eRepository @ Seton Hall. Disponível em: https://scholarship.shu.edu/theses/209

Bueno, M. L. (1999). Artes plásticas no século XX: Modernidade e globalização. Editora da Unicamp.

Coelho, F. (2013). Uma história necessária. In F. Lopes (Ed.), Área experimental: Lugar, espaço e dimensão do experimental na arte brasileira dos anos 1970 (pp. 839). Prestígio Editorial.

Coelho, T. (2002). Bienal de São Paulo: O suave desmanche de uma ideia. Revista USP, 52, 78391.

Eder, R. (2016, September 27). Juan Acha: Pensar el arte desde América Latina. post: Notes on Art in a Global Context. Museum of Modern Art. Disponível em: https://post.moma.org/juan-acha-pensar-el-arte-desde-america-latina/

Couto, M. F. M. (2023). A Bienal de São Paulo e a América Latina: Trânsito e tensões (anos 1950 e 1960). Editora da Unicamp.

Flusser, V. (1969, 27 de setembro). As Bienais de São Paulo e a vida contemplativa. O Estado de S. Paulo – Suplemento Literário, 4.

Fundação Bienal de São Paulo. (1972, janeiro). Mesa redonda internacional de crítica de arte [Press release]. Arquivo Histórico Wanda Svevo, Fundação Bienal de São Paulo.

Fundação Bienal de São Paulo. (1973). XII Bienal de São Paulo.

Fundação Bienal de São Paulo. (1974). Ata do júri de seleção. In Catálogo Bienal Nacional 1974 (pp. 35336). Fundação Bienal de São Paulo.

Giunta, A. (2008). Vanguardia, internacionalismo y política: Arte argentino en los años sesenta. Siglo XXI Editores.

Green, C., & Gardner, A. (2016). Biennials, triennials, and documenta: The exhibitions that created contemporary art. Wiley-Blackwell.

Green, J. N. (2009). Apesar de vocês: Oposição à ditadura brasileira nos Estados Unidos, 19641985. Companhia das Letras.

Jaremtchuk, D. (1999). Jovem arte contemporânea no MAC da USP [Tese de doutorado, Universidade de São Paulo].

Jaremtchuk, D. (2008). Experiências em Nova Iorque na década de 1970. ARS (São Paulo), 6(12), 1053113.

Jaremtchuk, D. (2023). Políticas de atração: Relações artístico-culturais entre Estados Unidos e Brasil (1960–1970). Editora Unesp.

Magalhães, A. G. (2015). A Bienal de São Paulo, o debate artístico dos anos 1950 e a constituição do primeiro museu de arte moderna do Brasil. Museologia & Interdisciplinaridade, 4(7), 1123129.

Mariano, W. E. de C. (2005). Etsedron [Master’s dissertation, Universidade Federal da Bahia].

Matarazzo Sobrinho, F. (1971, July 20). Carta a Jacques Lassaigne [Letter]. Arquivo Histórico Wanda Svevo, Fundação Bienal de São Paulo.

Matos, M. (1974, October 13). Arte contínua–Selvícolaplastia. Jornal da Bahia, 5.

Melo Filho, C. de. (2019). Pierre Restany: Para além do real. Um estudo sobre o Novo Realismo e sua conexão com a X Bienal de São Paulo (1969) [Tese de mestrado, Universidade Federal de Juiz de Fora].

Miceli, S. (1984). Teoria e prática da política cultural o icial no Brasil. In S. Miceli (Ed.), Estado e cultura no Brasil (pp. 973112). DIFEL.

Napolitano, M. (2010). Vencer Satã só com orações: Políticas culturais e cultura de oposição no Brasil dos anos 1970. In D. Rollemberg & S. V. Quadrat (Eds.), A construção social dos regimes autoritários: Brasil e América Latina (pp. 1453174). Civilização Brasileira.

Oliveira, M. M. de. (2021). Bienais e os giros epistemológicos: Pandemia e decolonialidade. MODOS: Revista de História da Arte, 5(2), 2123220.

Oliveira, R. A. (2001). Bienal de São Paulo: Impacto na cultura brasileira. São Paulo em Perspectiva, 15(3), 18328.

Ortiz, R. (2003). Cultura brasileira e identidade nacional. Brasiliense.

Orzes, A. (2024). Dos dois lados do Atlântico: A reformulação do modelo bienal entre teoria e prática (196831989). MODOS: Revista de História da Arte, 8(3), 4493483.

Pereira, V. C. (2013). A Bienal de São Paulo e a globalização da arte moderna. In Atas do IX Encontro de História da Arte: Circulação e trânsito de imagens e ideias na História da Arte (pp. 4173423). UNICAMP/IFCH/CHAA.

Pismel, A. P. C. (2018). Schenberg e as Bienais [Doctoral dissertation, Universidade de São Paulo].

Arquivo Histórico Wanda Svevo, Fundação Bienal de São Paulo. (n.d.). Recomendações da Mesa Redonda de Críticos de Arte Internacionais [Arquivo].

Arquivo Histórico Wanda Svevo, Fundação Bienal de São Paulo. (n.d.). Transcrição da intervenção de Mario Schenberg na Mesa Redonda de 1971 [Arquivo].

Schroeder, C. S. (2011). X Bienal de São Paulo: Sob os efeitos da contestação [Tese de mestrado, Universidade de São Paulo].

Schroeder, C. S. (2022). The biennial under contestation: Local perspectives on the tenth São Paulo Biennial (1969). Tate Papers, 34. https://www.tate.org.uk/research/tate-papers/34/the-biennial-under-contestation-local-perspectives-on-the-tenth-sao-paulo biennial-1969

Smith, T. (1975). O problema do provinciano. Revista Malasartes, 1, 30331.

Sprícigo, V. (2011). Modos de representação da Bienal de São Paulo: A passagem do internacionalismo artístico à globalização cultural. Hedra.

Torres, C. (n.d.). Carta do presidente da AIAP ao governador Roberto de Abreu. Arquivo Histórico Wanda Svevo, Fundação Bienal de São Paulo.

Traba, M. (1977). Duas décadas vulneráveis nas artes plásticas latino-americanas, 1950–1970. Paz e Terra.

Traba, M. (1977). Somos latinoamericanos [27 out. 1975 – Primera sesión]. In D. Bayón (Ed.), El artista latinoamericano y su identidad. Monte Ávila Editores.

Whitelegg, I. (2009). The Bienal de São Paulo: Unseen/undone (1969381). Afterall, 22, 1063113.

Whitelegg, I. (2012). Brazil, Latin America: The world. The Bienal de São Paulo as a Latin American question. Third Text, 26(1), 1313140.

Zago, R. C. de O. M. (2013). As Bienais nacionais de São Paulo: 1970–76 [Tese de doutorado, Universidade Estadual de Campinas].

Zago, R. de O. M. (2022). The other biennial: São Paulo’s “National Biennial”, 197036. Tate Papers, 34. https://www.tate.org.uk/research/tate-papers/34/the-other-biennial

Downloads

Publicado

2025-12-29

Como Citar

de Oliveira Maia Zago, R. C. (2025). BIENAIS DE SÃO PAULO NOS ANOS 1970: CRISE OU URGÊNCIA DE REVISÃO? . Todas As Artes, 8(3, Volume especial). Obtido de https://ojs.letras.up.pt/index.php/taa/article/view/16372