RECENSÃO DE LIVRO. ESTÉTICA INVESTIGATIVA: CONFLITOS E COMUNS NA POLÍTICA DA VERDADE
Palavras-chave:
estética investigativa, forensic architecture, art-based research, arquivo, agonísticoResumo
Esta resenha analisa Investigative Aesthetics: Conflicts and Commons in the Politics of Truth (2021), de Matthew Fuller e Eyal Weizman, situando o livro no contexto contemporâneo de crise da evidência pública, proliferação de imagens técnicas e disputa política em torno da produção da verdade. Partindo de contribuições de Achille Mbembe e Ariella Aïsha Azoulay, o texto compreende a evidência não como dado neutro, mas como efeito de operações materiais, institucionais e históricas de validação. A resenha examina como Fuller e Weizman articulam práticas artísticas, investigação forense e infraestruturas técnicas de sensing para propor uma metodologia investigativa capaz de produzir provas publicamente mobilizáveis em arenas como o tribunal, o museu e a mídia. Ao discutir conceitos como estética procedimental, string figures e comum agonístico, o texto destaca tanto a força política do projeto — ao transformar procedimentos técnicos em operações estéticas legíveis — quanto seus limites, especialmente no que diz respeito às assimetrias estruturais que condicionam o reconhecimento da evidência. Argumenta-se, por fim, que Investigative Aesthetics não oferece uma solução normativa para a chamada pós-verdade, mas se afirma como uma ferramenta crítica fundamental para compreender e disputar os regimes contemporâneos de prova, arquivo e comum.
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Referências
Azoulay, A. A. (2017, July 21). Archive: Ariella Azoulay. Political Concepts: A Critical Lexicon. https://www.politicalconcepts.org/archive-ariella-azoulay/
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Holert, T. (2020). Knowledge beside itself: Contemporary art’s epistemic politics. Sternberg Press.
Mbembe, A. (2020). The power of the archive and its limits. In C. Hamilton, V. Harris, J. Taylor, M.
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Mouffe, C. (2013). Agonistics: Thinking the world politically. Verso.
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