«Naciendo mujer, pareces diosa»

O teatro de religiosas portuguesas e o seu público na primeira metade do século XVIII

Autores

  • Inês de Sá

Resumo

A escrita conventual feminina conheceu destaque e relevância em Portugal, na Época Moderna. De entre todas as tipologias e géneros a que as religiosas se dedicaram, encontram-se também textos teatrais, destinados à representação nos seus conventos. O teatro cumpria uma dupla função: entreter e educar o público de religiosas. Assim, no momento da sua escrita, as autoras
tinham de adaptar as tópicas correntes do teatro, do amor e da teologia a um público muito concreto, com o claro propósito de ensinar e doutrinar. Neste artigo, analisa-se de que modo algumas religiosas do século XVIII adaptaram as tópicas do amor à necessidade de transmitirem certas mensagens e modelos femininos ao seu público. Percorrer-se-á o teatro de Joana Teodora de Sousa, recolhida no mosteiro da Rosa de Lisboa, o de Sóror Maria Céu e de Sóror Madalena da Glória, estas últimas religiosas no Mosteiro da Esperança, para ver as modalidades que o amor assumiu na construção dos seus enredos e personagens (masculinas e femininas). 
Esta análise não só demonstra o claro pendor educacional deste teatro, mas também como a tópica amorosa valorizava e trazia um especial protagonismo às personagens femininas, e exaltava a relação única entre Deus e as religiosas. Estas características
percorrem vários destes textos, mas variam de escritora para escritora.

 

https://doi.org/10.21747/0873-1233/spi32a8

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Publicado

2026-02-02