Eduardo Lourenço: entre poesia e filosofia
Resumo
A longevidade de Eduardo Lourenço tem um paralelo fecundo na extensão e multidão de ramificações da sua obra, extensa como várias vidas. Não é exagerado descrevê-la assim, perante os 13 volumes que as suas Obras Completas já levam, recolhidas em grandes tomos antológicos publicados pela Fundação Calouste Gulbenkian desde 2011, em paralelo com os muitos volumes singulares da outra série de Obras Completas, essa publicada pela Gradiva Editores. E muito está ainda por recolher, sobretudo se pensarmos em inéditos e dispersos na imprensa, ou na miríade de entrevistas que deu. Essa obra vasta constitui um estimulante laboratório de leituras ricas e invulgares sobre tudo o que interessa à natureza humana, em particular as sempre fascinantes aventuras pela exploração de articulações entre filosofia e poesia, um diálogo que atravessa a filosofia desde as suas origens na Grécia, onde a filosofia nasceu como poesia, e que a poesia retribuiu não mais deixando de se impregnar e proliferar em inquietações filosóficas, apesar da influente diatribe política de Platão contra a poesia. Eduardo Lourenço deixou-se seduzir pelos mistérios dessa geminação e que tanto o inspirou, por isso constituindo, como se verá neste volume, uma via de acesso ao seu pensamento. Um pensamento que declinou oferecer-se em sistema, preferindo as formas do diálogo, da conferência, da interpelação, do debate, sobretudo do ensaio.
Palavras chave: Eduardo Lourenço, poesia, filosofia, ensaio
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