A cultura na era do puro triunfo do económico: uma leitura de Eduardo Lourenço, O Esplendor do Caos

Autores

  • Diana Soraia Gonçalves dos Santos Instituto de Filosofia da Universidade do Porto

Resumo

PT

A mundialização, que pretende a aproximação de todos e a habitação dos não-lugares, através da vivência do espaço virtual, olvidou-se da componente espiritual, própria da interioridade, do silêncio e do tempo. Eduardo Lourenço evoca que, nesta «desertificação simbólica que a cultura de massas instituiu, uma única realidade substitui todas as outras como lugar da identificação emocional e mesmo de identidade: o da nação.» Esta identificação acontece, segundo o autor, através da cultura, por ser o domínio capaz de incutir sentidos particulares que cimentam um espírito de família. Mais indica que «o sangue desta comunicação não é outro senão a língua. E nela, e com ela, o tempo mais arcaico, quer dizer, original, de uma comunidade.» Na era do triunfo do domínio económico, onde os valores adquiriram preço, onde se encontra, ainda, a raíz cultural que continua a dar sentido à afirmação de ser português?

EN

Globalization, which aims to bring everyone closer together and inhabit nonplaces through the experience of virtual space, has forgotten the spiritual component of interiority, silence, and time. Eduardo Lourenço points out that in this «symbolic desertification that mass culture has instituted, a single reality replaces all others as a place of emotional identification and even identity: the nation.» According to the author, this identification happens through culture, as it is the domain capable of instilling particular meanings that cement a family spirit. He says that «the blood of this communication is none other than language. Moreover, in it, and with it, the most archaic, that is, original, time of a community.» In the age of the triumph of economic domination, where values have acquired a price tag, where we can find the cultural root that continues to give meaning to the affirmation of being Portuguese?

 

DOI: https://doi.org/10.21747/21836892/fil41a7

Referências

Augé, M., Não-Lugares Introdução a uma antropologia da sobremodernidade, 3ª ed., Letra Livre, Lisboa 2022.

Debord, G., A sociedade do espectáculo, trad. Francisco Monteiro, Antígona Editores Refractários, Lisboa 2021.

Lourenço, E., O Esplendor do Caos, Gradiva, Lisboa 1998.

Publicado

2025-04-25