O labirinto da saudade desde fora e depois

Autores

  • Luís Modesto García Soto Universidade de Santiago de Compostela

Resumo

PT

O nosso propósito é analisar e interpretar O labirinto da saudade com a perspetiva dos anos, desde 1982, e com um olhar forâneo, desde fora de Portugal. Pela nossa parte, ressaltamos o fio condutor e aspetos essenciais da reflexão, e crítica, que Eduardo Lourenço realiza da mentalidade dos portugueses ao pensar o seu país na história e até as últimas décadas do século XX. O tema central é a revisão da imagem de Portugal, as conceções fornecidas pela literatura, dominantes na cultura política, usadas pelas elites e partilhadas pelo povo. Lourenço assinala quatro formulações matriciais, provenientes de Camões, Eça, Pascoaes e Pessoa, que depois no seu uso político e cultural, no pensamento das elites e o imaginário popular, se caraterizarão pela hipérbole e o irrealismo. De aí, dificuldades, distorções e incapacidades para perceber a história e o presente, diagnosticar os problemas, promover soluções e desenvolver cursos de ações eficazes e construtores. Lourenço faz estas reflexões, sobre Portugal, no quadro de uma análise e crítica gerais da cultura ocidental contemporânea, como também ressaltamos na nossa leitura, salientando a sua pertinência e atualidade.

EN

In this text, my aim is to analyse and interpret O labirinto da saudade from the perspective of the years since 1982, and with a distant gaze from outside Portugal. In my reading, I emphasise the main thread and essential aspects of Eduardo Lourenço’s critical reflection on the mentality of the Portuguese when thinking about their country in history and up until the last decades of the 20th century. The central theme is the revision of the image of Portugal, the conceptions provided by literature, dominant in political culture, used by the elites and shared by the people. Lourenço points to four key formulations, from Camões, Eça, Pascoaes and Pessoa, which later in their political and cultural use, in the thinking of the elites and in the popular imagination, are characterised by hyperbole and unrealism. Hence the difficulties, distortions, and inability to understand history and the present, diagnose problems, promote solutions, and develop effective and constructive courses of action. Lourenço makes these reflections on Portugal within the framework of a general analysis and critique of contemporary Western culture, as I have also highlighted in my reading, emphasising their relevance and topicality.

 

Referências

Baliñas, C., Rosalía de Castro, entre a poesía e a política, Edicións do Patronato, Vigo 1987.

Barthes, R., «Michelet», in OEuvres complètes, édition d’Éric Marty, Seuil, Paris 2002, vol. I, pp. 291-449.

Gil, J., Portugal, Hoje. O Medo de Existir, Relógio d’Água, Lisboa 2005, 2ª edição.

Lourenço, E., O Labirinto da Saudade. Psicanálise Mítica do Destino Português, Publicações Dom Quixote, Lisboa 1982, 2ª edição.

Ribeiro dos Santos, A., A Renascença Portuguesa. Um movimento cultural portuense, Fundação Eng. António de Almeida, Porto 1990.

Soto, L. G., «A Galiza e o Galeguismo: autoconsciência e autodeterminaçom», Nova Renascença 72/73 (1999/2001) 59-82.

Soto, L. G., O labirinto da saudade, Laiovento, Santiago de Compostela 2012.

Soto, L. G., «Democracia, y filosofía, como apoderamiento. Portugal, por ejemplo», in Antonio Campillo y Delia Manzanero (coords.), Actas II Congreso internacional de la Red española de Filosofía, Universidad de Zaragoza, 2017, vol. V, pp. 9-22.

Sousa Santos, B., Portugal. Ensaio contra a autoflagelação, Almedina, Coimbra 2012, 2ª edição.

Publicado

2025-04-25