Eduardo Lourenço: mistério e crítica, o sortilégio da escrita

Autores

  • Luísa Borges Instituto de Filosofia da Universidade do Porto
  • Joaquim Pinto Instituto de Filosofia da Universidade do Porto

Resumo

PT

Este artigo discorre acerca da escrita ensaística de Eduardo Lourenço considerando-a como um ponto de viragem na ensaística portuguesa e europeia. Partindo das reservas críticas de Eduardo Lourenço, ao movimento da Filosofia Portuguesa, refletimos acerca da sua reflexão Metafísica desdobrada em dois planos: a materialidade física do seu discurso enquanto crítica e metacrítica; e o seu objeto, consubstanciado numa reflexão constante sobre o Tempo ou a temporalidade. Consideraremos, assim, como a dimensão poético-filosófica do pensamento de Eduardo Lourenço radica, ontologicamente, numa meta-crítica que é, no limite uma anti-teoria da literatura, na medida em que essa é uma exigência requerida pelos próprios objetos ou pelos textos poéticos.

EN

This article discusses Eduardo Lourenço’s essay writing, considering it a turning point in Portuguese and European essay writing. Starting from Eduardo Lourenço’s critical reservations regarding the Portuguese Philosophy movement, we reflect on his Metaphysical reflection unfolded on two levels: the physical materiality of his discourse as criticism and metacriticism; and its object, embodied in a constant reflection on Time or temporality. We will therefore consider how the poetic-philosophical dimension of Eduardo Lourenço’s thought is rooted, ontologically, in a meta-criticism that is, in the limit, an anti-theory of literature, insofar as this is required by the objects themselves or by poetic texts.

 

DOI: https://doi.org/10.21747/21836892/fil41a15

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Publicado

2025-04-25