Kierkegaard no Porto, 2013

Autores

  • José Meirinhos Instituto de Filosofia
  • Paulo Tunhas Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto

DOI:

https://doi.org/10.21747/722

Resumo

O dinamarquês Søren Aabye Kierkegaard é um dos mais originais e
influentes filósofos do século XIX. Schopenhauer, Kierkegaard, Marx, Nietzsche, representam talvez as mais importantes vias de reação ou desenvolvimento do pensamento de Hegel.
Søren Aabye Kierkegaard, nasceu a 5 de maio de 1813 e morreu a 11 de novembro de 1855. Polímata, autor de uma obra profundamente religiosa e especulativa, situa-se entre a filosofia e a teologia, em posição crítica da sociedade e do lugar que nela ocupa a religião instituída e o diálogo com a tradição. Os textos que publicou em vida são sobretudo de intervenção e polémica pública, recusando qualquer aspiração sistemática para uma obra que assinou sob vários nomes e deixou em grande parte inédita. O descentramento do sistema expressase também pela pseudonímia que usou abundantemente, assinando a partir de 1843 os seus textos com nomes inesperados para os quais criou identidades distintivas que mantinha, aperfeiçoava e multiplicava. Apesar dos poucos leitores e do pouco sucesso literário que teve em vida, o que seguramente aprofundava a sua amarga relação com a indiferença, publicou muito sob pseudónimo,a que outros seus pseudónimos poderiam responder também publicamente,encenando assim por interpostas personae um pensamento que explorava a contraposição de pontos de vista. A pseudonímia de Kierkegaard é um processo distinto mas tão eficaz quanto a heteronímia que Pessoa viria a inventar, para expressar a dilaceração e a multidão que habita as contradições próprias do pensamento radical, aquele que aprofunda a intimidade com as coisas mesmas de que o pensamento se ocupa. Toda a produção escrita de Kierkegaard pode ser lida como a obra sobre a obra sobre a obra, a vertigem que se alimenta da proliferação e da arrumação em permanência. Começa assim a introdução de Ponto de visto explicativo da minha obra como escritor: Na minha obra cheguei a um ponto onde é possível, onde experimento a necessidade e por conseguinte, considero agora meu dever declarar de uma vez por todas tão francamente, tão abertamente, tão categoricamente quanto possível, em que consiste a produção, o que pretendo ser como autor. (S. Kierkegaard, Ponto de visto explicativo da minha obra como escritor, trad. J. Gama, Ed. 70, Lisboa 1986, p.19).

 

DOIhttp://dx.doi.org/10.21747/21836892/fil31a3

Biografia Autor

José Meirinhos, Instituto de Filosofia

Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto

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Publicado

2015-10-29

Edição

Secção

Estudos