Kierkegaard – Prelúdio ao existencialismo

Autores

  • Luís de Araújo Faculdade de Letras da Universidade do Porto

DOI:

https://doi.org/10.21747/723

Resumo

Kierkegaard nasceu há duzentos anos. Durante este tempo, considerável tem sido a sua expansão, vasta a sua influência, profundo o sulco por ele aberto na análise da condição humana. Para ele o começo da Filosofia não está no espanto, como para os Antigos,mas no desespero e, mais profundamente, na angústia que se relaciona com a experiência concreta da liberdade. Porém, é uma filosofia da angústia sem medo, pois, na sua opinião, o desespero encaminha-se para a fé e a angústia ultrapassase
na atitude de escolher. A Filosofia deve ser uma meditação da vida, uma elucidação da existência que, para ele, só encontra a plenitude de sentido no âmbito da revelação cristã. A sua fundamental preocupação reside num apelo permanente à coragem que cada individuo deve assumir na afirmação firme da autenticidade da realidade pessoal, isto é, da sua subjectividade aureolada por um sentido de compromisso responsável pela aventura da sua vida. Imprevistamente o ser humano apercebe-se da sua fragilidade temporal onde as suas opções podem ocasionar a catástrofe, podendo afirmar-se que o absurdo se torna familiar da realidade quotidiana. Nesta perspectiva, Kierkegaard é nosso contemporâneo porque ainda nos fala, procurando responder a necessidades do tempo presente, que se expressa no aprofundamento do drama essencial da existência e de todas as razões, motivos e finalidades que lhe andam associadas. De facto, trata-se de dar algum sentido à vida, ir até ao fim da exigência pessoal de compreensão, entrever
uma possibilidade de salvação, a partir do primado irredutível da interioridade a fim de, para além do desespero, da angústia e do fracasso, atingir a mais alta serenidade.

 

DOI: http://dx.doi.org/10.21747/21836892/fil31a4

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Publicado

2015-10-29

Edição

Secção

Estudos