A escrita kierkegaardiana: a palavra que continua a abrir a Filosofia

Autores

  • Jorge Leandro Rosa Instituto de Filosofia

DOI:

https://doi.org/10.21747/727

Resumo

Abstract

As it is well known, during nearly all of his life, Kierkegaard wrote against Hegel’s conception of truth as a «conceptual geography» (A. Hannay), although with a deep knowledge of it. Understood in its kierkegaardian sense, subjectivity destroys this geography, as it is, in itself, a new way of revisiting those Hegelian concepts that shaped modern philosophy as a map of being. Intermingling truth and faith to the point of superposing those domains, Kierkegaard allows the individuals to grasp themselves from a different kind of complex point of view. It is no longer the domain of «world history», as an ontological landscape, but rather the complexity of a life captured in its essential insufficiency and nakedness that allows individuals to cope with the latency of being in everyday life. Writing is at the core of this shifting, as it is captured by a double movement inside Kierkegaardian writing: self-understanding through writing is, in itself, an understanding of writing. ‘Grace’ and ‘writing’ can be understood as a dual path inside the task of becoming oneself. This is contrasted with a certain kind of speculative, system-building, philosophy. As a writer, the thinker is like a perpetuum mobile and, as such, opposed to a certain immobility in self-expression of the professional philosopher of the nineteenth century. Subjectivity is separated from truth, not because it is impossible for it to attain truth, but rather because it gives itself a non-participating movement capable of both entering and leaving truth. This happens because kirkegaard’s subjectivity is not derived from a conception of self understood as an appropriation. The ‘instant’ is at the core of such a conception, being the more active and the more passive of forms
ontologically determined.

Keywords: Subjectividade; escrita.
Authors: S. Kierkegaard; Hegel.

Resumo

Como é bem conhecido, durante quase toda a sua vida de autor, Kierkegaard opôs-se à concepção hegeliana da verdade como uma «geografia conceptual» (A. Hannay), manifestando, contudo, um conhecimento íntimo desta. Entendida no seu sentido kierkegaardiano, a subjectividade destrói essa geografia já que ela é, em si própria, uma nova forma de revisitação daqueles conceitos hegelianos que ajudaram a definir a filosofia moderna como um mapa do ser. Entrecruzando a verdade e a fé ao ponto de as sobrepor, Kierkegaard atribui ao indivíduo a possibilidade de adquirir um ponto de vista complexo sobre si mesmo. Será, assim, privilegiada a intrincada estrutura da vida própria, radicada na sua nudez e insuficiência constitutivas, abertura do indivíduo à latência do ser, em detrimento da paisagem ontológica da «história mundial». A escrita é central para esta viragem. Em Kierkegaard, ela manifesta-se como um duplo movimento: a compreensão de si é sempre e necessariamente uma compreensão da escrita. Nesse sentido, a «graça» e a «escrita» podem ser entendidas como o caminho duplo daquele que se torna ele mesmo. Há aqui um contraste com um certo tipo de filosofia especulativa orientada para a construção do seu sistema. Enquanto escritor, o pensador equivale a um perpetuum mobile, o que o coloca em directa oposição a uma certa imobilidade expressiva que seria a posição do filósofo profissional do século XIX. A subjectividade está separada da verdade, não porque lhe seja impossível atingi-la, mas antes porque entra num movimento não participante, capaz de entrar e sair da verdade. Isso é possível porque a subjectividade kierkegaardiana não deriva de uma concepção que identifique o eu à apropriação. O «instante» está no coração de uma tal concepção, ele que é, simultaneamente, a mais activa e a mais passiva das formas ontologicamente determinadas.

Palavras-chave: Subjectividade; escrita.
Autores: Kierkegaard; Hegel.

 

DOI: http://dx.doi.org/10.21747/21836892/fil31a7

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Publicado

2015-10-29

Edição

Secção

Estudos