Os Anais Portugueses do séc. XII e o Quinto Império
Resumo
A conhecida narrativa analística realizada no Mosteiro de Santa Cruz nos finais do séc. XII, maioritariamente consagrada ao rei Afonso Henriques, que então ainda reinava, e que dá pelo estranho título «Chronica Gottorum», termina com uma extenso relato sobre a preparação de uma invasão da Península Ibérica pelos norte-africanos Almóadas. Toda a Hispânia, desde a muçulmana à cristã, se encontrava em perigo, embora o modo como o redactor crúzio redige o texto – num tom enfático e anormalmente pormenorizado – leve a pensar que as suas preocupações iam bem para além da dimensão militar do acontecimento. O chefe da invasão era conhecido por se deslocar num asno, motivo bem consagrado na literatura político-escatológica que, remontando ao período anterior ao advento do cristianismo, se tinha prolongado por todo o primeiro milénio; e a acção desse caudilho pautava-se por considerações históricas, que se fundamentavam em registos escritos. O que pretendemos, de momento, é fazer alguma luz sobre o modo como os Anais portugueses efectuam a recepção destes temas, remetendo, a nosso ver, para uma específica concepção do tempo e da história universal, onde avulta a ideia dos quatro impérios do passado (Daniel, 2; 7), estando em causa o advento de um império renovado de dimensão messiânica.
Palavras-chave: Almóadas; Império; Messias, rei do asno; mahdi; Cristo; livros
DOI: https://doi.org/10.21747/21839301/gua7a5
