Ensino do Português como segunda língua na perspetiva dos professores
um estudo de caso em Santa Catarina, São Tomé (STP)
Resumo
As línguas locais, em São Tomé e Príncipe, juntamente com o português, formam uma ecologia comunicativa fortemente influenciada por questões orográficas, históricas, sociais e linguísticas profundas, transformando-o num arquipélago com características multilinguísticas. A presença significativa dos crioulos de base lexical portuguesa nas comunidades periféricas, tem vindo a ser abordada por vários investigadores que apontam poder interferir nas metodologias de ensino-aprendizagem. Para compreender que estratégias adotam os professores face a este contexto educacional e que dificuldades sentem os alunos no processo de aprendizagem desenhou-se um estudo de caso cuja recolha de dados resulta de inquéritos por questionário e observação participante no terreno. Os dados provêm de informações fornecidas por 8 professores e 32 alunos a frequentar a 4ª classe da Escola Preparatória de Santa Catarina, situada no lugar de Santa Catarina na ilha de São Tomé. Para este artigo demos destaque à perceção dos professores. O tratamento desta informação seguiu uma metodologia qualitativa exploratória. Da análise pudemos inferir que os alunos fazem uso do crioulo angolar e do português entre si e com os professores em contexto escolar. Constatamos que dependendo da língua materna do aluno e da sua relação com o português, surgem dificuldades de comunicação entre aluno e professor. Os docentes que enfrentam diretamente estas situações específicas de multilinguismo acreditam que os alunos com PL2 têm potencial para alcançar o mesmo sucesso académico que os seus colegas que são fluentes em português e que o têm como língua materna. Em todo o caso, dada a quantidade de alunos por turma, enfrentam limitações de tempo e recursos para fornecer atenção individualizada aos alunos que se expressam em crioulo. A reflexão final incide na temática da necessidade da formação de professores para estes contextos linguísticos que primam pela heterogeneidade dos falantes.
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