Escrita como existência e resistência
mulher negra na Literatura Brasileira de Língua Portuguesa - uma leitura a partir de Carolina Maria de Jesus
Palavras-chave:
escrita feminina negra; literatura de língua portuguesa; resistência; escrevivência; subjetividade.Resumo
Este artigo objetiva compreender como a produção literária de Carolina Maria de Jesus atua na constituição discursiva da mulher negra na literatura em língua portuguesa, por meio da análise das obras Diário de Bitita e Quarto de Despejo: diário de uma favelada. Parte-se da hipótese de que essas narrativas articulam memória, experiência e resistência, possibilitando, assim, a ressignificação da subjetividade negra marginalizada, bem como o protagonismo de sujeitos historicamente silenciados. Por longo tempo, a escrita de Carolina foi frequentemente reduzida à função social, como se essa fosse a única competência admitida à autora. No entanto, este estudo revela a agência da autora ao tornar-
se sujeito de enunciação por meio de uma poética do cotidiano, apresentando uma estética literária relevante, com narrativa contra-hegemônica de resistência que desloca os regimes de construção da verdade. Emprega-se, portanto, como aporte teórico, o feminismo decolonial, atentando-se para a interseccionalidade epara o conceito de escrevivência, cunhado por Conceição Evaristo, que possibilita a compreensão das novas subjetividades femininas negras no contexto da Literatura Brasileira de Língua Portuguesa. Metodologicamente, adotou-se abordagem qualitativa de caráter interpretativo, com análise textual do corpus
literário.
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