A arfagem das mercadorias
mercados, conflitos e a marca «Água de Inglaterra» (c. 1803-1825)
Palavras-chave:
marcas, século XIX, Água de InglaterraResumo
Este artigo analisa as contendas em torno dos usos (e abusos) do nome «Água de Inglaterra», no período entre 1803 e 1825. Nosso recorte isola as disputas entre dois comerciantes estabelecidos em Lisboa e, a partir dessas contendas, descreve os circuitos comerciais, as transformações nos artefatos de cultura material e as conexões entre impressores e impressos, demonstrando como os agentes de época foram modificando suas estratégias, ao longo do tempo, para comercializar um produto bastante popular. Existe uma vasta literatura sobre a Água de Inglaterra. A pergunta que colocamos à prova é a de como um produto de botica, amplamente conhecido e comercializado, passou a ser informado por seu nome e quais foram os elementos que contribuíram para o fortalecimento desse emblema. Para responder a estas indagações, definimos como recorte as experiências dos comerciantes, nos circuitos atlânticos, na etapa final do Império Português na América. Nossos aportes teóricos partem da história do consumo e seguem em direção ao debate sobre a formação de novos mercados consumidores e sobre o papel das marcas para início do século XIX.
