Retalhos de vidas femininas: mobilidades e fronteiras entre o Recolhimento Anjo e do Recolhimento das Órfãs do Porto (1672-1800)
Resumo
Desenvolvidos para albergar mulheres em condição de vulnerabilidade - pelo afastamento temporário do elemento masculino, orfandade ou viuvez - os recolhimentos femininos, espaços de clausura sem a necessidade de professar votos religiosos, proliferaram durante a Época Moderna em Portugal. Na cidade do Porto, surgiram cinco espaços desta natureza, entre os séculos XVII e XIX. O Recolhimento do Anjo e o Recolhimento das Órfãs, instituições com o mesmo objetivo – preservar a honra social feminina –, embora com administrações distintas, são exemplos que ilustram a presença de fronteiras sociais, de distinção e seleção do público mulheril que ampararam. Porém, o entrecruzamento de mulheres de distintas condições sociais, os exemplos de solidificação de algumas carreiras dentro destes espaços e até mesmo as redes de sociabilidade estabelecidas entre os mesmos e instituições conventuais, nomeadamente a Norte de Portugal, demonstram a permeabilidade das aparentes fronteiras existentes em instituições de clausura. Deste modo, o objetivo do presente artigo é explorar a dimensão de permeabilidade e mobilidade dos recolhimentos femininos, através da aplicação de uma metodologia comparativa que permitiu analisar alguns retalhos de vida de mulheres recolhidas.
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