O Ponto de Vista como categoria analítica transversal do texto: um estudo a partir das intertextualidades
DOI:
https://doi.org/10.21747/21833958/red17a4Palavras-chave:
Ponto de Vista, Linguística Textual, Intertextualidades, MultissemioseResumo
No presente artigo, a partir da articulação teórica entre a teoria do Ponto de Vista (PDV), de Alain Rabatel, e a Linguística Textual (LT) brasileira (Cortez, 2011; Cavalcante et al., 2020; Cavalcante et al., 2022), propomos a adoção do PDV como categoria analítica transversal da textualidade. Neste estudo, centramos nossa análise nas relações entre PDV e intertextualidades, discutindo como os processos intertextuais contribuem para a representação de PDV, isto é, de perspectivas, pensamentos, ações e opiniões associadas a um centro de perspectiva (enunciador). Para isso, consideramos as intertextualidades como relações de diálogo entre textos, gêneros e estilos, que podem ocorrer em diferentes graus de explicitude, tanto entre textos específicos (intertextualidades estritas) quanto entre grupos amplos de exemplares textuais (intertextualidades amplas), conforme defende Carvalho (2018). Nossa proposta está pautada na LT brasileira, que considera a multissemiose como fator constitutivo do texto (Cavalcante et al., 2022). Assim, concebemos o PDV como categoria multissemiótica, isto é, que pode ser flagrada não só pelas formas verbais, mas por distintas semioses. A fim de demonstrar a produtividade analítica de nossa proposta de adoção do PDV como categoria transversal, analisamos duas propagandas eleitorais em vídeo. As análises evidenciam que os PDV podem materializar-se por meio das intertextualidades e demonstram que o mesmo pode ocorrer a partir de diferentes categorias textuais, de modo a confirmar a natureza transversal do PDV. Observa-se, portanto, que o PDV não apenas dialoga com outras categorias, mas nelas se inscreve e por meio delas se concretiza textualmente.
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