O negacionismo científico em capas de revista: análise dialógico-digital de tecnografismos
DOI:
https://doi.org/10.21747/21833958/red16a2Palavras-chave:
Pandemia, Jair Bolsonaro, Tecnografismo, Revista Oeste, DialogismoResumo
Neste artigo, objetivamos mapear e categorizar as capas da revista Oeste (entre os anos de 2020 a 2022, período pandêmico da Covid-19) que tratam sobre temas correlatos com a pandemia da Covid-19 e analisar como a revista se posiciona dialógico-responsivamente com os discursos do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre os mesmos temas. Partimos das noções de tecnografismo (Paveau, 2022) para compreender os elementos gráficos das capas da revista, analisamos a verbo-visualidade (Grillo, 2012) nelas registradas sob a ótica do dialogismo e da responsividade (Bakhtin, 2015; 2016; Volóchinov, 2018) e como os enunciados sobre a vacina aparecem carnavalizados (Bakhtin, 2013) em um desfile de escola de samba como críticas a Jair Bolsonaro. Trata-se de uma pesquisa qualitativa (Mussi; Mussi; Assunção; Nunes, 2019; Flick, 2009; Minayo, 2012) que estabelece interface entre a chamada Análise Dialógica do Discurso (Brait, 2006) e a Análise do Discurso Digital (Paveau, 2021). Os resultados evidenciam que os discursos de negação da ciência sobre a pandemia (entre 2020 a 2022) verbalizados/defendidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (a) produziram eco em diversos segmentos, inclusive em veículos de informação que optaram por desinformar, como é o caso da revista Oeste, que defendeu discursos negacionistas em suas capas, alimentando a bolha (Fancelli, 2022) digital no entorno de Jair Bolsonaro, e (b) apareceram carnavalizados (Bakhtin, 2013) pela Escola de Samba Rosas de Ouro em 2022 como críticas ao ex-presidente.
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