Discurso queer/cuir como resistência: práxis afirmativa como potência transformadora
DOI:
https://doi.org/10.21747/21833958/red16a3Palavras-chave:
Discurso, Resistência, Teoria Queer/Cuir, PerformatividadeResumo
O artigo examina como os discursos queer/cuir resistem à hegemonia cisheteronormativa por meio de estratégias discursivas afirmativas, que, ao não se limitarem à negação das normas, afirmam existências desviantes como práticas de resistência. Partimos da constituição e dos deslizamentos do termo “queer” como ofensa, identidade e campo de estudos – atentos também à localização do cuir como alternativa discursiva e política em contextos latino-americanos –, compreendendo a relevância desse lastro para o modo como as práticas discursivas desses sujeitos se instituem. Em diálogo com uma ampla gama de estudiosos, dentre os quais destacam-se Fairclough (2016), Austin (1990 [1962]), Butler (2018 [1990]), Preciado (2022) e Valencia (2023), o estudo analisa quatro textos de gêneros e domínios discursivos variados para demonstrar que os discursos queer/cuir elaboram-se como oposição à hegemonia a partir de um movimento inverso ao da negação e, assim, reafirmam a torção na qual se originam. Compreender a especificidade da resistência queer/cuir enquanto práxis afirmativa que transforma o discurso em espaço de existência, presença e reivindicação política é, portanto, contribuir com as reflexões sobre a resistência a partir de paradigmas mais ativos e potentes de transformação social.
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